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Como está tua esperança?

Esta é a terceira reflexão (3/3) de uma série sobre o que estou experimentando em Deus.


Estou em casa há alguns dias. Pode parecer trivial para você, mas isso significa muito para mim no momento. Fiquei internado por praticamente treze dias, longe dos meus filhos, recebendo todo tipo de medicamento, fazendo exames e esperando. Apenas esperando.


O trajeto da internação foi finalizado com um prognóstico difícil. Meu pulmão está tomado por uma doença para a qual a medicina diz não haver solução, apenas cuidados paliativos. No dia em que recebi a notícia, não soube bem o que pensar. Senti que Deus sabe o que faz, mas, no fundo, surgiu um certo temor sobre o que o futuro me reserva.


Fui a uma médica hoje para tentar entender uma trombose no braço esquerdo, provavelmente uma consequência da quimioterapia. Diga-se de passagem, que médica excepcional. Foi um atendimento com vigor. Consigo contar nos dedos os médicos de quem recebi um acolhimento tão caloroso. Contamos toda a minha história médica e ela se impressionou. Falou sobre algumas alternativas que poderíamos tentar e, em seguida, seguimos com os exames do braço.


Mas ela se deteve por um momento. Voltou-se para mim, olhou bem dentro dos meus olhos e perguntou: "Como está a tua esperança?".


Balbuciei na hora. Dei uma resposta direta, mas com uma convicção duvidosa. Disse que estava esperando em Deus e emendei outros assuntos sobre a necessidade de mais exames para analisar melhor o caso. Aquela mulher foi usada por Deus naquele momento para me questionar sobre algo que eu já vinha me perguntando há tempos. Onde está a minha esperança?


Meu ponto é que, por diversas vezes, Deus tem demonstrado como a minha fé é frágil diante das dificuldades que enfrento. Por vários momentos, questiono a provisão e o cuidado de Deus. Sei que Ele me chama a me alegrar na dificuldade, a confiar em Sua graça e a manter a fé firme. Mas, quando vejo minha força física indo embora e sinto a instabilidade quanto ao futuro do meu emprego e rendimentos, eu me preocupo com minha família e nosso sustento. Mesmo que Deus dê provas de Sua graça e use irmãos que têm nos abençoado de diversas maneiras, ainda sinto certa impotência diante da situação.


No entanto, percebo que Deus tem o Seu tempo com cada um. Elias esteve na caverna, amedrontado. Jonas tentou fugir do que Deus lhe ordenou. Até o nosso Mestre pediu para que, se fosse possível, não passasse pela dificuldade que deveria enfrentar. Há momentos no teste da nossa fé em que fraquejamos, mas Deus continua provendo.


Ao final da consulta, a médica perguntou sobre nossas dificuldades financeiras. Dissemos que estávamos nos virando e ela, em um gesto de carinho, disse que iria nos abençoar. Ela devolveu o valor da consulta. Ali eu pensei que Deus não me trouxe até aquele lugar por causa da consulta ou dos exames, que, por sinal, estavam razoáveis. Ele me mostrou que o cuidado está nas mãos d'Ele.


Portanto, convido você a refletir sobre o cuidado de Deus na sua vida, mesmo diante das dores, da solidão ou da angústia. Confie no Senhor e na forma como Ele trabalha no silêncio. Ele estará ao seu lado em todo o tempo.


Entre altos e baixos, questiono minha fé diversas vezes. Questiono até as nossas definições sobre o que é ter fé. Não acredito que exista uma maneira de exercer a fé que seja puramente positiva diante da calamidade, como se ela fosse capaz de mudar as circunstâncias por si só. Eu creio em uma fé que consiste em entregar a vida nas mãos Daquele que me sustenta e que sustenta a minha própria fé.

1 comentário


Essa mensagem não foi por acaso pra mim.

Tenho passado por dias difíceis… portas se fechando, respostas que não chegam e momentos em que a esperança tenta enfraquecer. Mas hoje fui lembrado de algo que não pode ser abalado: Deus continua sendo o mesmo.

Essa mensagem me lembrou que minha esperança não está no que eu vejo, mas no Deus que eu sirvo.

E isso nunca vai mudar. 🙏

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